Tendências do mercado de embalagens para 2026
Durante anos, a embalagem foi entendida apenas como um elemento funcional: guardar, proteger e transportar. Em essência, isso não mudou. O que evoluiu foi a ciência, o design e a tecnologia, que hoje permitem desenvolver soluções cada vez mais adequadas a cadeias logísticas complexas, contextos ambientais desafiadores e consumidores com expectativas muito mais claras.
Na América Latina, essa evolução já é tangível. Segundo a Kantar, os consumidores ecoativos, aqueles altamente comprometidos com a sustentabilidade, representam 28% e cresceram 10% entre 2023 e 2024. Além disso, um em cada três consumidores afirma estar incomodado com a quantidade de plástico que leva para casa.
Em nível global, a McKinsey confirma que a vida útil continua sendo um atributo crítico da embalagem, enquanto a pegada ambiental ganha peso na decisão de compra. A leitura para a região é clara: o desafio já não está em escolher entre sustentabilidade e funcionalidade, mas em projetar soluções que integrem ambas e gerem valor real ao longo de toda a cadeia. Sob essa perspectiva, a embalagem deixa de ser “uma caixa” para se tornar uma decisão estratégica.
Tendências das embalagens na América Latina em 2026
As transformações que vão marcar o design de embalagens até 2026 não respondem a modismos passageiros, mas à necessidade de resolver fricções concretas na cadeia de valor. Em um contexto de pressão sobre custos, consumidores mais informados e uma crescente consciência ambiental, a embalagem evolui para soluções que combinam funcionalidade, tecnologia e experiência.
Design inclusivo e centrado no bem-estar
A acessibilidade integrada (aberturas intuitivas, ergonomia, escrita em braille para pessoas com deficiência visual, superfícies antiderrapantes) melhora a experiência de uso para públicos diversos. Combinada com informações claras e visíveis, reforça a confiança e promove um consumo mais seguro e responsável. Em uma região com população diversa, uma embalagem inclusiva é uma vantagem competitiva real.
Embalagens inteligentes e rastreáveis
Tecnologias como QR codes, NFC, sensores e inteligência artificial ganharão ainda mais protagonismo. Essas soluções permitem que as embalagens comuniquem a origem do produto, seu impacto ambiental e a forma correta de descarte, fortalecendo a experiência de marca e o vínculo com o consumidor. Segundo dados do setor, 85% das marcas aumentarão seus investimentos em conectividade nos próximos anos, um sinal claro para onde o mercado está caminhando.
Leveza, simplicidade e eficiência no design
As marcas buscarão reduzir custos sem comprometer a qualidade nem a sustentabilidade, especialmente em contextos econômicos desafiadores. Para isso, consolidam-se estratégias como o "cost take out”, que busca eliminar gastos desnecessários, o uso de monomateriais e da inteligência artificial, permitindo decisões mais eficientes, assertivas e holísticas, otimizando toda a cadeia de suprimentos. Essas ações não apenas melhoram a logística e reduzem as emissões de CO₂, como também ajudam a manter a competitividade e a fortalecer o compromisso ambiental.
Circularidade e materiais de fontes renováveis
Embalagens recicláveis, reutilizáveis ou projetadas com base nos princípios da economia circular atendem a um consumidor que valoriza ações concretas e a cadeias de suprimentos que buscam reduzir seu impacto sem perder eficiência. Um estudo global da McKinsey mostra que a maioria dos consumidores está disposta a pagar mais por embalagens sustentáveis. Em outras palavras, embalagens com lógica circular e propósito mostram-se estratégicas para os próximos anos. Na América Latina, isso se traduz em uma oportunidade de conectar-se com um consumidor exigente e construir uma reputação baseada em impacto.
Embalagens para e-commerce
A expansão do comércio eletrônico na América Latina impulsiona embalagens projetadas para serem resistentes, leves e visualmente atraentes. Além de proteger o produto, elas devem oferecer uma experiência positiva ao consumidor. Isso transforma o unboxing em uma ferramenta-chave de fidelização e diferenciação.
Além disso, tecnologias como RFID (Identificação por Radiofrequência), hoje utilizadas pelo setor logístico, podem ser incorporadas a essa indústria como ferramentas para melhorar a experiência do cliente, permitindo acompanhar a entrega em tempo real.
Rotulagem limpa e simplicidade visual
A tendência de embalagens com menos informações técnicas visíveis e um design mais minimalista também ganha relevância. Isso melhora a legibilidade, facilita as decisões de compra e projeta uma imagem moderna e confiável, especialmente em canais digitais e de autosserviço. Além disso, otimiza toda a cadeia de suprimentos, reduzindo custos e aprimorando os processos logísticos.
Embalagens prontas para a venda (SRP)
As embalagens prontas para a venda (SRP, do inglês Shelf Ready Packaging) serão cada vez mais comuns no varejo. Elas melhoram a eficiência logística, reduzem o tempo de reposição e otimizam a apresentação no ponto de venda. Além disso, ajudam a comunicar a sustentabilidade de forma tangível, ao reduzir desperdícios e facilitar a reciclagem. Trata-se de uma tendência já presente na América Latina.
Antecipar-se às mudanças: inovação aplicada para criar valor real
Compreender as tendências que estão transformando o mercado é apenas o primeiro passo. O verdadeiro diferencial está em como esses sinais se traduzem em soluções concretas, alinhadas às necessidades do negócio e às expectativas do consumidor.
Nesse processo, a embalagem se consolida como uma ferramenta estratégica para otimizar operações, fortalecer a experiência do cliente e avançar em direção a modelos mais sustentáveis.
Na Smurfit Westrock, a inovação aplicada e o design orientado por dados permitem antecipar esses desafios. Por meio de metodologias como eSmart e ferramentas como InnoTools, são desenvolvidas soluções que equilibram eficiência logística, sustentabilidade e funcionalidade, sempre a partir de uma visão integral da cadeia de suprimentos e do contexto em que as empresas operam.
Olhar para essas transformações implica reconhecer que a embalagem continuará evoluindo, não como um objeto, mas como um sistema capaz de se adaptar, otimizar recursos e gerar resultados de longo prazo. Esse é o verdadeiro valor de projetar hoje pensando no futuro.
Este artigo contou com a colaboração de especialistas da Smurfit Westrock na América Latina: Germán Pulido, Agustina Rovegno, Gilberto Avendaño e Rafaella Rufino, que contribuíram com perspectivas-chave a partir de diferentes mercados e funções, ajudando a identificar tendências comuns e desafios para o design de embalagens na região.















